Como assinante da Folha, eu havia me inscrito para assistir, da plateia, o debate entre os três presidenciáveis mais bem colocados nas pesquisas. A minha intenção era fazer uma cobertura crítica do evento, que por critérios arbitrários dos organizadores ocorreria sem o candidato Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL.
O texto que eu pretendia escrever eu sequer terminei, porque um fato inesperado mudou tudo e tirou a minha atenção.
Fui convidado para um entrevista e aceitei. Pensei que era para a Folha. Depois descobri que gravariam um vídeo para o UOL. Tudo bem, sem problemas. Mas... surpresa: a pouquíssimos minutos de acabar o bloco do momento, o repórter @msneves me disse que entraríamos ao vivo naquele intervalo. Eu, que estava tentando imaginar o que diria, fiquei completamente sem reação. Mas não deixei de encarar as câmeras para falar da ausência de Plínio. As coisas saíram muito diferente do que eu gostaria, porém é tarde demais para chorar o leite derramado. Logo após a entrevista, no entanto, eu já havia esboçado na minha cabeça o que eu deveria ter dito (abaixo). Afinal, eu tinha mais de 140 caracteres. E poderia ter ido muito além.
"É impossível comentar a repercussão do debate na internet e, em especial, no Twitter sem citar a frustração geral que ocasionou a não-participação do candidato Plínio de Arruda Sampaio. A Marina, provavelmente alertada por seus assessores, resolveu sair da defensiva e ocupou o 'vácuo crítico' deixado por Plínio. Não sem surpresa foi parar na lista dos 'trending topics' mundiais do Twitter. Até o FHC foi parar nos TTs, enquanto o Serra, coitado, nem apareceu. A propósito, se o debate da Folha fosse utilizar a lista de tópicos mais comentados do Twitter como critério para convidar os candidatos, certamente os três presentes seriam Marina, Dilma e Plínio. Quem ficaria de fora seria o Serra. Mas, de qualquer forma, o debate foi acompanhado por todos os internautas, inclusive pelo candidato Plínio, que comentou por meio de webcam. E, ao contrário do que disse Fernando Rodrigues, o tag #debatefolhauol chegou a ocupar por bastante tempo o terceiro lugar na lista de TTs. Se chegou a ficar em primeiro, foi apenas durante um piscar de olhos. No topo, estava a Marina. E seria o Plínio caso ele estivesse participando."
Ah, se eu pudesse voltar no tempo...
Não posso. E a vida continua. Ainda há muito por fazer.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
sábado, 14 de agosto de 2010
Quando a esmola é demais, o santo desconfia
A Folha deixou de ignorar o candidato do PSOL à Presidência da República, Plínio de Arruda Sampaio, e lhe destinou quase uma página inteira pelo segundo dia seguido. Achou democrático? Então preste atenção aos detalhes:
Imagine a forma mais imprudente de abordar tudo o que pode haver de mais polêmico com relação a uma candidatura. Imagine a publicação, sem o devido aprofundamento das discussões, de tudo o que pode chocar o senso comum. Pronto, você imaginou a matéria da Folha de hoje (a de ontem havia sido bem mais condescendente, digamos assim). O título já escancara que Plínio defende a "legalização da maconha". No subtítulo, aspas de Plínio perguntando que "mal faz um baseado". Depois, o jornal joga na roda a contradição entre a posição de Plínio contra a existência do Senado e a suposta bronca que o PSOL lhe teria dado pelo fato de o partido lançar postulantes ao cargo. Para arrematar, uma "investigação" que revelaria uma suposta incoerência existente no fato de um socialista defender a taxação de grandes fotunas e ao mesmo tempo ter patrimônio de cerca de R$ 2 milhões. Eles gostam de endinheirados como Eike Batista, que quanto mais tem mais quer, independentemente de qualquer coisa. (Neste caso, de qualquer coisa mesmo.)
A imprensa não é neutra, sabe-se. Mas alguns veículos são tendenciosos demais.
(Ah, em tempo: na edição de hoje da Folha também havia um editorial contra o debate eleitoral centrado na comparação entre os governos Lula e FHC. É claro, não há modo melhor de mostrar que o governo Lula, por menos que tenha feito, saiu-se muito melhor que o tucanato privatista. O pessoal desse jornal não diz, mas vota 45. Ah, vota...)
Imagine a forma mais imprudente de abordar tudo o que pode haver de mais polêmico com relação a uma candidatura. Imagine a publicação, sem o devido aprofundamento das discussões, de tudo o que pode chocar o senso comum. Pronto, você imaginou a matéria da Folha de hoje (a de ontem havia sido bem mais condescendente, digamos assim). O título já escancara que Plínio defende a "legalização da maconha". No subtítulo, aspas de Plínio perguntando que "mal faz um baseado". Depois, o jornal joga na roda a contradição entre a posição de Plínio contra a existência do Senado e a suposta bronca que o PSOL lhe teria dado pelo fato de o partido lançar postulantes ao cargo. Para arrematar, uma "investigação" que revelaria uma suposta incoerência existente no fato de um socialista defender a taxação de grandes fotunas e ao mesmo tempo ter patrimônio de cerca de R$ 2 milhões. Eles gostam de endinheirados como Eike Batista, que quanto mais tem mais quer, independentemente de qualquer coisa. (Neste caso, de qualquer coisa mesmo.)
A imprensa não é neutra, sabe-se. Mas alguns veículos são tendenciosos demais.
(Ah, em tempo: na edição de hoje da Folha também havia um editorial contra o debate eleitoral centrado na comparação entre os governos Lula e FHC. É claro, não há modo melhor de mostrar que o governo Lula, por menos que tenha feito, saiu-se muito melhor que o tucanato privatista. O pessoal desse jornal não diz, mas vota 45. Ah, vota...)
Lea T, a filha de Toninho Cerezo

Ela nasceu Leandro Cerezo. Sim, Lea T é uma transexual.
Desde que seu antigo filho, hoje filha, começou a fazer sucesso na Europa (estrelando até uma campanha da Givenchy e posando para a Vogue francesa), o ex-jogador e hoje treinador de futebol Toninho Cerezo foge da imprensa como o diabo da cruz. Reportagem do The Observer, reproduzida na semana passada por CartaCapital, mostra como Cerezo ainda não aceitou muito bem essa história. Sabe como é, parece que a família é muito "católica"...
Lea T é bonita. Mas por que será que ela não pode ser bonita e feliz? Aposto que Jesus, se vivo fosse, também não entenderia.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Show "Chico Buarque - Histórias de Canções" continua
Pois bem, mas nada me impede de dizer que assistir a esse belo espetáculo é como passar horas apreciando belas histórias, boa música e, é claro, piadas espirituosas do meu querido amigo Wagner Homem, o inspirado autor da obra, que chega até a mostrar o seu gingado em determinados momentos da apresentação, levantando e dançando na maior. A ideia de transformar o livro em show foi realmente uma grande sacada.
Para quem ainda não conferiu, fica a dica: a temporada no Café Paon (Moema), que ia até o fim de julho, ganhou sobrevida. No sábado 7/8 tem bis. E, para que ninguém se desespere, a próxima temporada será no Teatro Fecap e já tem data marcada, anote aí: fins de semana de 21/22 e 27/28 de agosto. Eu já fui duas vezes e levei comigo algumas pessoas das quais gosto. E não vejo a hora de comparecer de novo, vale mesmo a pena. Para saber mais, acesse o site: http://www.historiasdecancoes.com.br/. (Ou me escreva para irmos juntos quando começar a temporada no Teatro Fecap!).
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Preciso ler Guimarães Rosa

Na edição especial de número 600 da revista CartaCapital, várias personalidades foram convidadas a responder à seguinte pergunta: "Do que o Brasil precisa?".
As respostas foram as mais variadas, de acordo com a área de atuação e a visão de mundo da pessoa em questão. Entre um Stedile aqui, um Belluzo ali e um Sócrates acolá, surpreendido mesmo eu fui com o texto de Jorge Futado, cineasta e roteirista.
O texto de Furtado carrega o seguinte título: "Ler Guimarães Rosa (e outras dez sugestões para fazer deste um país melhor para nós e os nossos filhos)". Instigante. E mais instigante ainda é o trecho citado do livro Grande Sertão: Veredas, do qual reproduzo uma parte abaixo.
"Por que o governo não cuida? Ah, eu sei que não é possível. Não me assente o senhor por beócio. Uma coisa é pôr ideias arranjadas, outra é lidar com país de pessoas, de carne e sangue, de mil e tantas misérias... Tanta gente – dá susto se saber – e nenhum se sossega: todos nascendo, crescendo, se casando, querendo colocação de emprego, comida, saúde, riqueza, ser importante, querendo chuva e negócios bons...”
Política de verdade é assim. Não basta ideias arranjadas, infelizmente (ou felizmente, sei lá). O buraco é bem mais embaixo. E Guimarães Rosa, pelo visto, ajuda a iluminar tão tortuosa trilha. Preciso lê-lo urgentemente.
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Profissão polemista

O polemista profissional Luiz Felipe Pondé conseguiu se superar em sua coluna semanal de absurdos publicada no jornal Folha de S.Paulo. A tática é tão simples quanto antiga: disparar ofensas contra tudo e contra todos. Na verdade, contra quase tudo e quase todos.
Ele tenta postular-se como um verdadeiro cético, pois, aparentando estar desprovido de ideologias, assim crê dispor de legitimidade para criticá-las. Ele não teria, de acordo com o que diz, ideais ou esperanças. E emenda: “E suspeito de quem queira me dar uma [esperança]”. Eu, por meu turno, suspeito justamente quando alguém vem com esse papo furado de não ter ideal – porque das duas uma: ou ele tem mas não sabe que tem (ingênuo) ou ele tem e está escondendo (mau-caráter).
Em seu texto desta semana, “Sem esperanças”, há vários trechos que me fariam escrever linhas e mais linhas como réplica (justamente o que ele busca e o que o faz continuar na Folha, mesmo depois das mudanças editorias pelas quais o jornal passou no último período e sobre as quais eu ainda vou escrever neste blogue).
Bom, deixando de lado o machismo perceptivelmente forçado, é possível encontrar no texto coisas como esta: “Não saio para jantar com gente que quer mudar o mundo e que tem ideais. Prefiro as que perdem a hora no dia que decidem salvar o mundo ou as que trocam seus ideais por um carro novo.”
O que Pondé tenta vender como ousadia inovadora (e, por que não dizer, revolucionária) tem nome: quem não quer mudar o mundo, mas conservá-lo como está, é conservador e está à direita na arena política. Por que ele participaria do debate político se não tem ideal? "Participo do debate público pra atrapalhar a vida de quem quer mudar o mundo ou de quem tem ideais".
Ou seja, Pondé tem lado e sabe disso. E, digamos, não é o mais humano e fraterno deles. É o lado da elite, dos banqueiros, empresários, ruralistas e milhões de etc. Porque destes eu nunca vi o incendiário colunista falar mal.
“Pergunto-me por que não proíbem professores de pregar o marxismo e toda a bobagem da luta de classes.” Uma coisa é um conservador sério como o professor de Filosofia da USP José Arthur Giannotti, que ao menos reconhece a importância do pensador Marx. Outra, sensivelmente diferente, é o sensacionalismo comercial do Pondé. Mas quanta petulância!
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