sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Show "Chico Buarque - Histórias de Canções" continua



Eu ia começar este post dizendo que estar presente nesse show é como tomar uma cerveja à mesa com Chico Buarque. Mas seria muita pretensão tentar adivinhar como é estar em tal situação. Até porque, apesar de gostar do Chico e de ter lido o livro "Histórias de Canções" (afinal, trabalhei no processo de edição), não me considero lá grande entendedor desse brilhante artista.

Pois bem, mas nada me impede de dizer que assistir a esse belo espetáculo é como passar horas apreciando belas histórias, boa música e, é claro, piadas espirituosas do meu querido amigo Wagner Homem, o inspirado autor da obra, que chega até a mostrar o seu gingado em determinados momentos da apresentação, levantando e dançando na maior. A ideia de transformar o livro em show foi realmente uma grande sacada.

Para quem ainda não conferiu, fica a dica: a temporada no Café Paon (Moema), que ia até o fim de julho, ganhou sobrevida. No sábado 7/8 tem bis. E, para que ninguém se desespere, a próxima temporada será no Teatro Fecap e já tem data marcada, anote aí: fins de semana de 21/22 e 27/28 de agosto. Eu já fui duas vezes e levei comigo algumas pessoas das quais gosto. E não vejo a hora de comparecer de novo, vale mesmo a pena. Para saber mais, acesse o site: http://www.historiasdecancoes.com.br/. (Ou me escreva para irmos juntos quando começar a temporada no Teatro Fecap!).

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Preciso ler Guimarães Rosa


Na edição especial de número 600 da revista CartaCapital, várias personalidades foram convidadas a responder à seguinte pergunta: "Do que o Brasil precisa?".

As respostas foram as mais variadas, de acordo com a área de atuação e a visão de mundo da pessoa em questão. Entre um Stedile aqui, um Belluzo ali e um Sócrates acolá, surpreendido mesmo eu fui com o texto de Jorge Futado, cineasta e roteirista.

O texto de Furtado carrega o seguinte título: "Ler Guimarães Rosa (e outras dez sugestões para fazer deste um país melhor para nós e os nossos filhos)". Instigante. E mais instigante ainda é o trecho citado do livro Grande Sertão: Veredas, do qual reproduzo uma parte abaixo.

"Por que o governo não cuida? Ah, eu sei que não é possível. Não me assente o senhor por beócio. Uma coisa é pôr ideias arranjadas, outra é lidar com país de pessoas, de carne e sangue, de mil e tantas misérias... Tanta gente – dá susto se saber – e nenhum se sossega: todos nascendo, crescendo, se casando, querendo colocação de emprego, comida, saúde, riqueza, ser importante, querendo chuva e negócios bons...”

Política de verdade é assim. Não basta ideias arranjadas, infelizmente (ou felizmente, sei lá). O buraco é bem mais embaixo. E Guimarães Rosa, pelo visto, ajuda a iluminar tão tortuosa trilha. Preciso lê-lo urgentemente.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Profissão polemista


O polemista profissional Luiz Felipe Pondé conseguiu se superar em sua coluna semanal de absurdos publicada no jornal Folha de S.Paulo. A tática é tão simples quanto antiga: disparar ofensas contra tudo e contra todos. Na verdade, contra quase tudo e quase todos.

Ele tenta postular-se como um verdadeiro cético, pois, aparentando estar desprovido de ideologias, assim crê dispor de legitimidade para criticá-las. Ele não teria, de acordo com o que diz, ideais ou esperanças. E emenda: “E suspeito de quem queira me dar uma [esperança]”. Eu, por meu turno, suspeito justamente quando alguém vem com esse papo furado de não ter ideal – porque das duas uma: ou ele tem mas não sabe que tem (ingênuo) ou ele tem e está escondendo (mau-caráter).

Em seu texto desta semana, “Sem esperanças”, há vários trechos que me fariam escrever linhas e mais linhas como réplica (justamente o que ele busca e o que o faz continuar na Folha, mesmo depois das mudanças editorias pelas quais o jornal passou no último período e sobre as quais eu ainda vou escrever neste blogue).

Bom, deixando de lado o machismo perceptivelmente forçado, é possível encontrar no texto coisas como esta: “Não saio para jantar com gente que quer mudar o mundo e que tem ideais. Prefiro as que perdem a hora no dia que decidem salvar o mundo ou as que trocam seus ideais por um carro novo.”

O que Pondé tenta vender como ousadia inovadora (e, por que não dizer, revolucionária) tem nome: quem não quer mudar o mundo, mas conservá-lo como está, é conservador e está à direita na arena política. Por que ele participaria do debate político se não tem ideal? "Participo do debate público pra atrapalhar a vida de quem quer mudar o mundo ou de quem tem ideais".

Ou seja, Pondé tem lado e sabe disso. E, digamos, não é o mais humano e fraterno deles. É o lado da elite, dos banqueiros, empresários, ruralistas e milhões de etc. Porque destes eu nunca vi o incendiário colunista falar mal.

“Pergunto-me por que não proíbem professores de pregar o marxismo e toda a bobagem da luta de classes.” Uma coisa é um conservador sério como o professor de Filosofia da USP José Arthur Giannotti, que ao menos reconhece a importância do pensador Marx. Outra, sensivelmente diferente, é o sensacionalismo comercial do Pondé. Mas quanta petulância!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

VI Semana de Ciências Sociais da USP


Para mais informações, acesse http://www.ceupes2010.wordpress.com/.

Até lá!

E que capa...


Uma boa capa. Uma boa matéria. E, se você acha que não faz lá muito sentido, leia o último parágrafo:


"Por enquanto, a turma do BC se parece com Salsicha e seu parceiro Scooby-Doo, personagens de desenho animado. Aos primeiros sinais de fantasmas, tremem de medo. Em geral, nas histórias de Scooby-Doo, descobre-se que as criaturas e os monstros assustadores não passam de espertalhões tentando tirar proveito da situação."


Espirituosos esses jornalistas de CartaCapital, não? Eu acho.

sábado, 1 de maio de 2010

And my Oscar goes to...

Bom, quando pensei em escrever este post, a ideia era fazê-lo logo após a divulgação do resultado do Oscar 2009, com aqueles que seriam os cinco melhores filmes do ano na minha humilde e leiga opinião (sem divisões por categorias ou quesitos, justamente porque não entendo nada de cinema).

Pois bem, o tempo passou, mas a ideia da lista, não. Até porque ela estava já mentalmente pronta. Para minha surpresa, porém, descubri que metade dos meus eleitos são filmes de 2008, o que me deixou, digamos, meio frustrado. Mas, paciência, vou publicar assim mesmo. Prometo, no entanto, ser mais rigoroso da próxima vez.

1. Bastardos inglórios / Inglorious Basterds
(EUA e Alemanha, 2009)

2. Che -- o argentino/ Che -- Part I
(EUA, França e Espanha, 2008)

3. Che -- a guerrilha / Che -- Part II
(EUA, França e Espanha, 2008)

4. Deixa ela entrar / Let the Right One In
(Suécia, 2008)

5. Abraços partidos / Los Abrazos Rotos
(Espanha, 2009)

Um esclarecimento necessário: assisti a Avatar (EUA, 2009) e acho que o filme tem lá os seus méritos, é pelo menos cheio de boas intenções. Se quisermos ser rigorosos, podemos levantar uma série de problematizações etc. -- o que, venhamos e convenhamos, já foi feito a exaustão por aí. Se fosse um pouco menos ingênuo e estadunidense, entraria em sétimo na lista. Ah, e por que não em sexto? Porque, se eu fosse escolher um sexto, ele seria o filme Amantes / Two Lovers (EUA, 2009), um surpreendente drama sobre o amor -- surpreendente pelo tom singelo e despretensioso, talvez exatamente por isso profundo e grandioso ao seu final.